segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Curiaú Mirim.

O balneário do Curiaú Mirim fica dentro da APA do Curiaú ( Área de Proteção Ambiental ). O acesso a ele é pela rodovia do Curiaú e percorre-se uma linda floresta com trechos fechados, o que faz com que o meio de transporte mais adequado seja a bicicleta.

Crianças a caminho do balneário: devido aos trechos muito fechados da floresta,
a bicicleta é o meio de transporte mais adequada para se chegar lá.

O acesso ao Curiaú Mirim se dá por meio da floresta: a vegetação é rica em espécies e para os mais experientes há diversas trilhas onde se pode conhecer um pouco mais sobre a flora e a fauna do local.

Fotos: Flávia Pennafort
O esforço de pedalar a bicicleta é confortado pela maravilhosa paisagem amazônica.


O visitante conta com os serviços de um modesto bar no local. Além de rampas de madeira que dão acesso ao banho no rio.

O Povo Daqui – PARTE II – Comunidades do Interior do Estado

Dando continuidade ao projeto “Povo Daqui”, Flávia e eu mostramos agora o modo de viver de uma comunidade do interior do Estado: Santo Antônio da Pedreira. Situada às proximidades do rio Pedreira a 92 km de Macapá, seguindo pela AP070, nesta localidade as moradias são erguidas tanto em madeira cobertas com telhas brasilit ou de barro, quanto em alvenaria com as mesmas coberturas.

É óbvio que quanto mais próximo da área urbana a comunidade está situada, mais influências “modernas” são percebidas.  

Na casa de Dona Ivaneide Santana Duarte, podemos perceber tais influências, apesar do alto custo do frete para levar materiais de construção, casas em alvenaria já representam significativa porcentagem. Além disso, as habitações têm fogão à gás e geladeira como itens de necessidade básica.

Dona Ivaneide mora em uma pequena casa em alvenaria, coberta com telhas brasilit.

Dona Ivaneide é uma simpática e comunicativa habitante da localidade. Nascida e criada na Foz do Rio Pedreira, mora em Santo Antônio desde os 16 anos quando casou e hoje aos 68 anos com um sorriso de tristeza e um brilho de saudade nos olhos, típico de nossa gente do interior, relata que já não trabalha muito como antigamente. “O que eu ainda faço é pescar”, diz ela. “Eu pego a montaria, o casco, e vou lá prá longe .. sabe ? Eu sou piloto”. Nesta última afirmação, minha cicerone assumiu uma tonalidade séria ao inflar o peito, impondo reponsabilidade. E não é pra menos, o piloto de uma montaria ( casco, canoa ) é quem dá a direção do transporte assim como o motorista de carro, piltoto de avião, etc. Quem já experimentou remar cascos em rios grandes sabe que não é simplesmente remar, é preciso dar uma direção e esta é a tarefa do piloto que “tarea” o remo dentro d´água. Calma, calma... Tarear é equilibrar. O que ele faz é colocar o remo dentro d´água, como se fosse um leme, mas sem inclinações, pois uma vez que se remarmos do lado direito, o casco tem a tendência de ir pra esquerda e vice-versa. Então o remo deve servir de leme para equilibrar o casco a fim de tomar a direção reta necessária.

O aspecto positivo dessa “proximidade” com a área urbana é que no caso de pessoas idosas, os itens como fogão à gás, batedeira de açaí, lavadora de roupa, entre outras coisas, facilitam o trabalho doméstico. Um exemplo: os mais jovens vão pro mato apanhar o açaí e Dona Ivaneide bate a fruta na sua máquina. Diferente de tempos atrás, quando o açaí era amassado à mão.

Máquina de bater açaí.

Embora tenha fogão à gás, Dona Ivoneide mantém seu fogão de barro e lenha para “um caso de necessidade na falta do gás ou para assar um peixe na brasa”.


FOTOS: FLÁVIA PENNAFORT


Autêntico fogão de lenha e uma vassourinha de terreiro, que nada mais é que o cacho de açaí sem os frutos.

 Estoque de lenha da casa.

Para a alimentação básica “plantamos de tudo: abacate, banana, laranja, limão, alface, coentro, cebolinha...”

Horta e bananeira

Caieira

E olha só, Dona Ivaneide também tem uma caieira! Só que feita com técnica diferente: é cavado um buraco onde é jogada lenha, cobre-se o buraco com tábuas,  folhas e por fim uma grossa camada de terra. São deixados dois buracos, um em cada extremidade da caieira. O fogo é aceso por um e quando a fumaça sai pelo buraco da outra extremidade é sinal que o carvão está pronto. Parece simples, mas não é, "precisa de ciência": a lenha não é incendiada, ela precisa ficar queimando em brasas e não em labaredas. Isso demora de 3 a 5 dias, dependendo da quantidade de madeira. E mais 2 dias para que as pedras de carvão esfriem e seja feito o trabalho de retirada da terra, folhas e tábuas. "É muito trabalhoso", lamenta Dona Ivaneide.


Caieira

Os habitantes de comunidades do interior gozam da utilidade das máquinas e eletrodomésticos, mas não abrem mão do modo de viver repassado pelos descendentes. Na verdade eles têm uma vantagem sobre nós da cidade: não são dependentes de tecnologias desconhecidas para sobreviver.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O Povo Daqui – PARTE I

Flávia e eu começamos a traçar as características do modo de viver do nosso caboclo, o nosso povo da floresta. A parte I do “ Povo Daqui” trata do local de habitação deste.

Quanto ao local da habitação podemos dividir em três: os que moram às margens das estradas; os ribeirinhos ( margem dos rios ); os que moram nas comunidades/vilas/distritos interioranos.

Às margens das estradas:

As casas

São construídas com o que a floresta tem a oferecer: madeira e folhas que depois de secas, se transformam em palha.

Fotos: Flávia Pennafort


Caieira

Forno de barro e tijolos em forma arredondada edificado em cima de um buraco para queima de madeira e obtenção do carvão, tem uma entrada grande por onde é colocada a madeira e um orifício em cima, que faz as vezes de chaminé, por onde sai o excesso de fumaça.


Esta verdadeira edificação dá independência ao caboclo pois o carvão resultante é o combustível viável para cozer os alimentos. E dependendo do local ou da época pode gerar uma fonte de renda/troca. Em meus tempos de infância aqui nas bandas do Laguinho, eu tinha amigos cujos pais construiam caieiras em casa. Mas não eram como desta da foto: eram feitos buracos no chão onde a madeira era jogada e queimada formando uma verdadeira fornalha, e a cobertura eram tábuas dispostas lado a lado. É óbvio que essa construção era um verdadeiro perigo para as crianças que corriam pelos quintais dos vizinhos e chegavam a pular as caieiras numa demonstração de valentia.

Trilhas

Nos tempos de turismo ecológico imaginamos uma trilha com setas para a esquerda, direita, indicando a trilha “da onça”, “do veado”, “lanchonete”, “banheiros”. Mas a trilha do nosso caboclo é esta abaixo.



São os caminhos do trabalho: “pavimentados” com pés e terçados, por onde o caboclo sai para a caça e a coleta dos frutos, castanhas, extração de madeira, ou seja, tudo o que a floresta oferece para a sobrevivência deste.

E se um nativo falar que tal trilha é a “trilha da onça” as Hélidas da vida jamais andarão por ela.


Açaizeiros provém além do vinho, o palmito.

A natureza é generosa com o povo da Amazônia. Talvez seja por isso que a ambição e a cobiça não faça parte do caráter do povo daqui. Temos uma visão dominante de que o caboclo ou o índio são ociosos. Mas isso de maneira alguma é verdade.  Á questão é que tamanha generosidade não infla o desejo de posse ou acumulação de bens.

Arqueologia no Amapá – PARTE I.

Inscrições rupestres em Ferreira Gomes

Nem todos sabem, mas o Amapá tem sítios arqueológicos. Chega a ser desnecessário afirmar que estes são interessantes, pois, afinal de contas, qual sítio arqueológico não é muito interessante?
Na região do Tracajatuba, a poucos quilômetros de Ferreira Gomes, foram encontrados desenhos rupestres em baixo relevo em rochas a céu aberto.

Fotos: Flávia Pennafort


A desoberta é recente e desde 1996 arqueólogos do museu paraense "Emílio Goeldi" vêm até o local para fazer estudos das inscrições. O local veio a ser conhecido como Pedra do Índio.

As figuras mais compreensíveis



Quando vi estas três cruzes lembrei da parte da constelação de Órion popularmente conhecida como "Três Marias"

Ao observar as imagens, vêm à mente o que significam e o porquê das pessoas que viveram naquela região terem o árduo trabalho de gravar em rochas de origem magmáticas tais figuras. É claro que o desenho é uma forma de expressão, desenhamos aquilo que vemos, que gostamos, que queremos deixar. Mas o gostoso de conhecer esses locais é que ficamos intrigados por não compreendermos exatamente o significado dos mesmos. É claro que as três cruzes são bem claras para uma pessoa leiga. Seriam constelações? Provavelmente. Estudos arqueológicos esclarecem que o homem tinha por hábito desenhar corpos celestes ( sol, lua estrelas, etc ), suas atividades cotidianas ( caça, rituais de dança, )

Com relação a essas inscrições nada de certo ou unânime foi declarado pela equipe científica que se dedica ao estudo.

Aliás o que de certo temos a respeito dos desenhos rupestres?




“Barba-de-bode” é assim que é chamada a vegetação rasteira que predomina na área
do sítio arqueológico da Pedra do Índio.



Agradeço a atenção recebida por parte do Professor/Historiador José Farias,
do Museu Joaquim Caetano da Silva

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Igarapé do Lago - São Sebastião

Igarapé do Lago celebra com batuque o dia de São Sebastião.



Distante 87 km de Macapá, a comunidade de Igarapé do Lago é composta, na sua maioria, por descendentes de escravos. Às margens do lago do mesmo nome, esta tem o batuque como sua forma máxima de expressão popular.
As festividades em louvor a São Sebastião de dividem em duas partes: uma religiosa e outra profana. A primeira começa no dia 11 de janeiro se extendendo até o dia 20 e consiste em novenas nas casas dos moradores. Já as festividades profanas se dão no primeiro final de semana após o dia 20, quando é dançado o batuque.
Neste, os tocadores de tambor ficam no centro do salão junto com os cantadores que entoam o modo de viver do povo. Ao redor deles, os dançantes giram com suas roupas coloridas e repetem o coro.


O encontro de gerações durante o batuque é a certeza que esta tradição se manterá.


Uma vez que o coro e as estrofes cantadas não têm registros impressos, os mais velhos repassam para as gerações mais novas da comunidade "puxando o coro" e estas o repetem.

Na foto, o olhar atento da adolescente para aprender e não se perder na letra.

 O Governo do Estado incentiva tal festividade com uma verba destinada à compra de alimentação, vestimentas usadas durante a dança, prêmios para os vencedores das várias competições que compõem uma programação extensa e variada durante o período do evento. Torneios de futebol masculino e feminino, corrida de cavalo, argolinha, são algumas destas atividades.
Professora Lucinete Picanço é uma das moradoras da comunidade. Formada em Magistério pelo Instituto de Educação do Amapá ( IETA ), ela nasceu e foi criada lá. Só saiu do Igarapé do Lago para estudar. Hoje, graças à flexibilidade do calendário escolar que as universidades particulares oferecem através do ensino modular esta bela e inteligente professora pode morar e trabalhar na sua comunidade natal e progredir com sua carreira nos meses de férias.


Lucinete, moradora do Ig. do Lago cursa Licenciatura em Letras
em uma faculdade de Macapá.
Lucinete fotografa  e fornece informações sobre a festividade.


Esta foto eu dedico à Mariléia Maciel.


Querida Mariléia, olha que registro lindo! Que momento maravilhoso este que eu vivenciei lá no Igarapé do Lago: uma criança ( minha filha, Flávia ) fotografando outra criança. Ambas preservando o que de importante temos em nossas vidas: a nossa tradição, aquilo que somos.







Igarapé do Lago: um luxo só!
Fotos: Flávia Pennafort






Minha filha Paula se diverte com o banho de lama que tomamos ao passarmos por um caminhão que vinha no sentido contrário.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Aniversário do Hélio Pennafort

Papai, na Rádio Educadora ( década de 70 )



Se papai fosse vivo, teria completado ontem, 21 de janeiro, 72 anos. Nascido e criado no Oiapoque era o filho mais velho do segundo casamento de minha avó Bibo com meu avô, Roque.



Segundo meu tio Ciro Pennafort me contou uma vez, papai, quando criança, valia-se da astúcia própria de irmãos mais velhos: escondia-se atrás das portas para dar “cacholetas” ( eu acho que é assim que se escreve ) no desprevenido tio Ciro, cujas orelhas de abano eram uma verdadeira tentação ao espírito malino que habita em garotos.



Adorava o Oiapoque, mas sempre dizia que um dos lugares mais bonitos do Amapá era Cachoeira Grande ( entre os municípios de Amapá e Calçoene )..."Temos num só lugar a cachoeira, a praia e o bosque"... assim justificava.



Com um gosto impecável para música era um ardoroso fã de Chico Buarque. “Roda Viva” era sua composição favorita. E embora sem nenhum conhecimento teórico de música erudita, era um tremendo ouvido para esta, a ponto de ir às lágrimas nas primeiras notas de “Tristesse” ( F. Chopin ).
 
Roda Viva ( Chico Buarque )

Tem dias que a gente se sente

Como quem partiu ou morreu

A gente estancou de repente

Ou foi o mundo então que cresceu.



A gente quer ter voz ativa

No nosso destino mandar

Mas eis que chega a roda viva

E carrega o destino prá lá.



Roda mundo roda gigante,

Roda moinho roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração



A gente vai contra a corrente

Até não poder resistir

Na volta do barco é que sente

O quanto deixou de cumprir

Faz tempo que a gente cultiva

A mais linda roseira que há

Mais eis que chega a roda viva

E carrega a roseira pra lá.



A roda da saia mulata

Não quer mais rodar não senhor

Não posso fazer serenata

A roda de samba acabou.

A gente toma a iniciativa

Viola na rua a cantar

Mais eis que chega a roda viva

E carrega a viola pra lá



O samba, a viola, a roseira

Um dia a fogueira queimou

Foi tudo ilusão passageira

Que a brisa primeira levou

No peito a saudade pratica

Faz força pro tempo parar

Mas eis que chega a roda viva

E carrega a saudade pra lá
 
Papai e mamãe ( Rita Pennafort ), nos primeiros anos de casados.

Cerâmica - Maruanum

Como estou de férias, esta semana me dei ao luxo de ir ao Carmo do Maruanum comprar uma saladeira de cerâmica. Parece coisa de louco enfrentar esta estrada para comprar um utensílio doméstico vendido em muitas importadoras daqui.

Fotos: Flávia Pennafort

Mas a minha saladeira não é uma qualquer, dessas que são fabricadas aos milhares. Ela é especial porque é feita pelas mãos de uma doce artesã daquela comunidade, que misturando o barro com a casca do Caripé* não poupa habilidade em moldar tigelas, vasos, copos, colheres, fogões, caramuchés... Cara.... o quê?? É, eu tampoco o conhecia. Caramuché parece nome de bicho, tem até a forma de um porco, mas é somente uma lamparina feita de barro: joga-se o azeite pelo orifício de cima e coloca-se o pavio pelo bico da frente. Prontinho... É claro que o caramuché vai para a minha estante de artesanatos.

É um porco? É um vaso? É um achado arqueológico? Não! É apenas um caramuché!

As artesãs do Maruanum têm o incentivo do governo municipal que cedeu uma casa para a venda das peças de cerâmica na própria comunidade, mas podemos encontrar as mesmas peças na Casa do Artesão em Macapá.


Artesã Castorina: uma simpatia só no atendimento, explica que as peças são feitas a partir da mistura do barro com a casca do Caripé*, e depois de queimadas são vernizadas na sua parte interior com a resina da Jutaicica ( Jutaí* ). A camada de verniz além de dar uma sofisticada aparência nas colheres e tigelas também facilita a higienização das mesmas.


Verde e com um relevo um tanto íngreme. É assim o trecho Macapá - Maruanum, da rodovia BR156 

*No dicionário Aurélio, temos a definição de Caripé como: [do tupi, possivelmente] Arvoreta da família das rosáceas ( Licania scabra ), de flores pequenas, panículas auxiliares ou terminais,com sépalas de pêlos alvos.
 
*Jutaí: ( Jataí ) Árvore da família das leguminosas ( Hymenaea courbaril ) da Amaz. e N.E.,. de folhas com dois foliolos coriáceos, flores vistosas, amarelas e mais ou menos cimosas, e cujo fruto é grossa e longa vagem que contém arilo farináceo comestível. O tronco cede resina adequada à fabricação de verniz.
 
 
Residência na comunidade do Carmo do Maruanum



Os campos verdejantes às margens da BR156, no trecho Macapá - Maruanum é um capítulo à parte: merecem destaque por mais parecerem um tapete. É uma pena as garças não chegarem mais perto para um "close".


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Rio Macacoari - Itaubal


Fotos: Flávia Pennafort

Para que gosta de remar e é amadora, como eu e minhas filhas uma boa opção é ir praticar no rio Macacoari ( ou Macacoary ).

A vegetação fecha as palmas das mãos para abrigar o rio. É essa a impressão que temos ao ver o rio completamente cercado pela densa vegetação. O bom disso tudo é que faz uma sombrinha gostosa que nos dá ânimo para continuar a remar mata adentro.

O acesso até ele a partir de Macapá pode ser pela estrada Ap070 ( Macapá-Curiaú-Pacuí ).




É perfeito para remar pois as águas são bem mansas e quem é pouco experiente não vai ter dificuldade nenhuma
para seguir adiante e vislumbrar a imensa floresta e ouvir o canto dos pássaros.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Curiaú - Parte II



Curiáu e sua curvas sinuosamente verdes

Dias atrás eu publiquei um texto do Fernando Canto sobre o Curiaú e agora, com o começo da estação chuvosa a paisagem do local já está se transformando em campos de um verde aveludado sem fim. A fauna, como era de se esperar também aumentou: garças, marrecos, entre outros, dividem os campos com os búfalos. Completando assim um cenário que vale a pena ser visto de perto. Como eu tenho uma fraqueza muito grande por paisagens não resisti em publicar mais.

Toda a APA do Curiáu é bem limpa e conservada, como seus moradores levam um estilo de vida simples não há poluição na área. Algumas famílias ainda têm na caça e na produção de mandioca para fabricação de farinha a provisão para seu sustento.



A área das casinhas foi recentemente reformada e está convidativa
 para uma tarde ou manhã de lazer com a família.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Aniversário da Boêmios do Laguinho


Escola de Samba Boêmios do Laguinho

Boêmios do Laguinho comemorou mais um aniversário fazendo história no carnaval amapense. No último dia 2, na quadra da escola, uma extensa programação encheu de alegria a noite no nosso bairro e culminou com uma homenagem a Nega Vânia, que há dez anos é rainha da bateria. E é claro, a apresentação do samba de enredo 2010: "Índio que te quero lindo".
A  Associação Universidade de Samba Boêmios do Laguinho foi fundada em 2 de janeiro de 1954, por um grupo de boêmios reunidos em uma residência da avenida Mãe Luzia, no bairro do Laguinho. Na reunião de fundação, estiveram presentes Mestre Bené, Francisco Lino da Silva, Cabecinha, Mestre Falconeri, Joaquim Ramos, Chicão Ramos, Ubiraci Picanço, Nonato Sena, Matapi, Martinho Ramos, entre outros.

Em 1963, sagrou-se campeã do primeiro carnaval de rua oficial do Amapá.
É a agremiação carnavalesca com o maior número de títulos da história do carnaval amapaense: 17 no total, sendo dezesseis no Primeiro Grupo (1963, 1964, 1967, 1969, 1970, 1974, 1975, 1977, 1979, 1980, 1982, 1984, 1986, 1992, 1995 e 2001) e um no Segundo Grupo (1999).

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Curiaú - Texto de Fernando Canto

A doze quilômetros de Macapá, situa-se ao norte a localidade de Curiaú, um povoado habitado por negros nemanescentes de escravos, que ali, originalmente formaram um quilombo para refugiarem-se dos maus tratos a que eram forçados na época da construção da bicentenária Fortaleza de São José de Macapá, na segunda metade do século XVIII.


Devido a distância que separa os dois pequenos núcleos populacionais da comunidade, esta possui duas denominações: Curiáu de Dentro e Curiaú de Fora. Ambos vivem de uma cultura de subsistência, através do extrativismo vegetal e animal bem como da produção de diversos cultivos agrícolas e da pecuária. A farinha de mandioca ali produzida é considerada a mais gostosa das redondezas.
O Curiaú de Dentro, distante cerca de um quilômetro do Curiaú de Fora, se caracteriza pela exuberância de um grande lago natural. A bonita paisagem com nuances de verde contrasta com búfalos e com a plumagem das variadas espécies de aves que dele fazem seu habitat. Na época das chuvas o lago fica cheio como um grande lençol verde. No verão ele seca, ficando somente um igarapé de água corrente onde banhistas para lá se dirigem aos fins de semana e feriados. Já no Curiaú de Fora, a beleza é marcada pela vegetação típica do cerrado, tendo ao seu redor várias “ilhas” de mato em forma circular.

Apesar da aparência das construções, a Vila do Curiaú não é, como se pensa, uma sociedade primitiva, mas sim um lugar politicamente organizado, onde seus habitantes são profundamente devotos de várias imagens católicas e tradicionalmente as festejam com fé e veneração.

Igreja de Santo Antônio - Vila do Curiaú


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Meu batizado


Eu acho que é comum nesta época do ano que um sentimento de nostalgia tome conta de todos. Acontece comigo todos os anos. E como sempre, no mês de dezembro eu faço a famosa faxina de final de ano, quando jogo fora tudo o que já não me interessa mais e escolho novos lugares para fotos, papéis, documentos importantes  etc. Na minha faxina estou colocando em ordem as centenas de fotos de meus filhos e no meio delas encontrei esta, do meu batizado. Gostaria de compartilhar com a família e com meus amigos esta "recordação".



Minha madrinha Naíde Farripas, apresentadora das Historinhas para a Gurizada e responsável pela recepção da Rádio Educadora: grande amiga de meus pais. E o meu padrinho: padre Caetano Maiello

Caetano Maiello foi um dos diretores da “Voz Católica”e coordenador do grupo que implantou a Rádio Educadora. Para as gerações mais novas devo explicar que a “Voz Católica”, segundo meu pai “teve origem no longínquo Oiapoque. A paróquia daquele município fazia circular “O Ideal”, editado pelo padre-coadjutor, Jorge Basile, o que motivou o Bispo Prelado Dom Aristides Piróvano a criar um órgão oficial da Prelazia de Macapá. Para isso mandou buscar o padre Jorge Basile em Oiapoque, entregando-lhe a tarefa de fazer um jornal católico que tivesse como lema “A Caridade e a Verdade”.


… Pela sua posição na vanguarda, pela presença constante da literatura, da História, da poesia, do entretenimento, a “Voz Católica”, decididamente foi um dos mais importantes semanários que já circularam pela Amazônia, com repercussão em outros Estados brasileiros e até mesmo no exterior. Valeu o esforço da sua equipe de colaboradores, que trabalhava gratuitamente, movida apenas pelo desejo de fazer algo de positivo para a formação religiosa, política e cultural da nossa gente.”


Já “a Rádio Educadora São José de Macapá entrou em funcionamento no dia 2 de agosto de 1968. Embora fosse de propriedade da então Prelazia de Macapá, a linha de programação da emissora era bem avançada para a época e não se prendia aos limites da religião. Para se ter uma idéia, a maioria dos programas era voltada para a formação intelectual e política, veja bem, num tempo em que vivíamos em pleno regime de exceção, com o AI-5 exigindo censura prévia, sobretudo nos programas caráter jornalísticos.


A equipe pioneira que atuou na Rádio Educadora recebeu treinamento intensivo nos três meses que antecederam a entrada da emissora no ar, simulando todos os programas, de modo que, quando a rádio começou a funcionar para valer, não existia mais segredo para o elenco da Educadora, que tinha o prefixo ZYA-52 e o seu slogan indicava a própria finalidade da emissora: Educação, Informação e Diversão para o povo do Território.”


A Educadora notabilizou-se por ter adotado um tipo de jornalismo arrojado e inovador e também por ter sido a pioneira e levar ao ar programas de cultura popular produzidos nos próprios locais onde o evento ocorria.


Pela primeira vez os problemas locais podiam ser debatidos abertamente pelo público, através do programa “Um Tema na Ordem do Dia”, que também apresentava reportagens especiais feitas pelo interior, em lugares cujos costumes eram até então desconhecidos da maioria da população.

Padre Jorge Basile e eu no Círio de Nazaré de 1974.