segunda-feira, 1 de março de 2010

O Povo Daqui – PARTE IV – Ribeirinhos

Habitação


Chamamos de ribeirinhos aos moradores que vivem próximo aos rios ou ribeiras. Com o majestoso sistema fluvial que a Amazônia possui a presença destes nativos à beira do rio, no interior da floresta estimula nossa curiosidade e imaginação. Eles vivem praticamente sem vizinhos, mas conhecem todos os que moram “perto” ( centenas de metros ou mesmo quilômetros de distância).

Quando ao navegarmos nos deparamos frente a uma habitação típica da região, muitas interrogações e exclamações nos vêm à mente: que lindo, viver dentro da floresta, cercado de açaizeiros, com um rio para tomar banho a hora que quiser! Que tranquilidade, o único som que ouvem é o cantar exótico dos pássaros e das folhas das palmeiras que batem uma nas outras conforme a intensidade do vento. Eles não têm medo de morar tão isolados sem ninguém por perto para ajudar em caso de socorro? ....


A Região Amazônica com seus rios e inúmeros igarapés abriga a população ribeirinha formando um cenário onde a primeira vista não se pode distinguir um padrão de vida adequado à vida na floresta, da pobreza. As casas são erguidas, na sua maioria, de madeira; cobertas de telhas de barro, brasilit ou palha. Muitas são pintadas. Além da casa, um “aparelho sanitário” e o trapiche formam a estrutura básica para a moradia.


Os manguezais são uma constante em toda a costa do Estado do Amapá, o solo lamacento dos mangues alimenta o rio de um amarelo barrento que aumenta ainda mais quando avançamos pelo interior dos igarapés.

Viveiro para camarão: uma caixa de tela com abertura na parte superior, por onde o criador joga a ração à base de babaçu.

Transporte

As catraias* são de fundamental importância para a locomoção dos ribeirinhos. Tanto o transporte de pessoas para o trabalho, como o transporte de mercadorias são feitas principalmente por este meio.


Os cascos são utilizados para transporte em trajetos curtos, mas de extrema importância para os moradores dos igarapés, que muitas vezes têm apenas este como meio de locomoção.


Quando a embarcação é pequena, o interessante é seguir o trajeto pelos igarapés cercados de mangues, pois esta área é estreita e não está sujeita a ventos fortes e maresias. É o que o caboclo chama de viagem “por dentro”. Além disso, com um transporte de pequeno porte as manobras de retorno são mais fáceis.

A viagem “por fora” é quando se navega pelos rios ou, como no caso do Amapá, por uma parte do Oceano.

Alexandre Santos, morador da Ilha de Santana, "catraia" desde sempre. Nem ele mesmo se lembra quando começou a trabalhar no transporte de ribeirinhos desde o Porto de Santana.

Esta linda foto eu dedico ao meu amigo Pedro Lobato, que é ribeirinho por DNA.

*Catraia:  embarcação de pouco calado, movida a vela, remo ou do tipo canoa motorizada, que se emprega no transporte de passageiros, e que é geralmente manobrada por uma só pessoa, o catraieiro.

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